sábado, 28 de novembro de 2009

Auto-sabotagem

(Priscilla Fujiwara)

É deveras brega escrever sobre a traição e sua dor.
Mas está insuportável viver do seu lado.
Sofro sozinha com este sentimento amargo,
No meu inferno vejo-te dormir cheio de cuidados.

Optei pela cegueira branca e sofro em silêncio
Só não sei até quando irei suportar suas mentiras
Dor que não é compartilhada apodrece por dentro
Quando terei coragem de partir e ir embora?

Morre-se quando não se defende e engole o medo
Trair é trair-se e não se permitir ser intenso
É saída da pessoa incapaz de se entregar por inteiro.

Covarde, vil, sem caráter, fraco
A mágoa intensa não é de sua mentira
Mas é porque já não posso mais acreditá-lo


Ao lhe perdoar sem você me pedir perdão,
Evito que você seja mais sujo do que já é.
Perco o sono, o estômago embrulha e a face arde
Não há mais dor e nem consigo ser tempestade.


Quando tudo terminar o que irá sobrar de mim?
A cada traição você me dá veneno para a alma.

3 comentários:

  1. Caros,

    Não é preciso fingir dor a dor que deveras sente, como já dizia sobre o ato de fazer poesia, Fernando Pessoa. A dor é real e de viés. A senti e para expulgá-la, transformei-a em algo belo: a poesia. Uma noite depois, já estou melhor.

    Abraços,

    Pri

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  2. Adorei Pri...me doeu à alma...faço o mesmo...a transformo...às vezes maquio tanto que nem sei onde realmente a exteriorizei...mas estou sempre a desafiar a dor...e se ela me vencer, um dia, será por pura necessidade!!!! Ehehehehe!!!

    Bjs!

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  3. Almas doídas sem encontram
    Esbarram, falam "oi, você por aqui?"

    Vamos vivendo, revivendo, sobrevivendo

    Pri

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