(Priscilla Fujiwara)
Acho que sou tão prosa,
Falo, desentalo, remendo as palavras
Sou o avesso da harmonia
Contrária às rimas, entrelinhas
Narro, relato, descrevo
Poxa, e quando vejo
Há tudo, menos poesia.
Se você me pede para eu escrever para a música
As minhas palavras são solteiras
Não sei se existe melodia para se casar
Tem cara de moda de viola com seus causos
Ora se namora com o blues e a sua melancolia
Mas pode ser bossa com o seu jeito desafinado
De falar-cantar-musicar.
Não quero falar de amor sem amar
Nem de dor se o que sinto é pior
È a ausência de qualquer sentimento
Vazio de tudo
É não estar no mundo
Nem em mim
Nem em ti
Não há poesia para o nada.
Não sei cantar a vida
Nem escrever os indescretível
Vivo no caos, do caos
Só sei andar errante, divagante
Não conheço as regras
Não me enquadro nos quadrados
Será que há melodia para as minhas palavras?
Será que há música que um dia se case com a minha prosa?
Mas aceito o desafio
Quem sabe um dia eu me enquadre
Em um relacionamento
Em um emprego
Em uma cidade
Em algum ritmo
Na sua musicalidade
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
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Quando surgiu o convite para escrever letras de música, veio a pergunta: Poetizar? Musicalizar as minhas palavras? Justo eu, que sou tão prosa. Que brinco de escrever e me pagam para narrar os fatos. Ai de mim jornalista, que só sei ser objetiva e falar o que há lá fora. E deixar o sentimento no canto, debaixo, no fundo de mim. Mas o desafio foi aceito. Talvez um dia as minhas palavras deixem de ser solteiras e se casem com a música. Isto, quando eu aprender a casar com a vida.
ResponderExcluirAbraços ao gaúcho que me fez sair da prosa.
Abraços a quem se dispuser a ler o que escrevo, registro e publico.
Namastê!
Priscilla Fujiwara
Gostei da despretensão...e da liberdade (coisas para uma vida boa)!
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